quinta-feira, 23 de agosto de 2007

The End










Oh yeah, alright,
Are you gonna be in my dreams tonight?

And in the end the love you take
Is equal to the love you make


The End, The Beatles



(Is it? I wonder...)



quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Carta ao Pai Natal






Pai Natal,

Senta-te aí que a conversa vai ser longa, ou melhor, os pedidos vão ser longos. Ando muito aborrecida contigo mas podes melhorar as nossas relações se me deres o que te peço. E para que possas ir encontrando tudo já te estou a escrever com tanta antecedência porque depois os miúdos desatam a pedinchar, podes não ter tempo para mim, e há certas coisas que eu gosto de planear com grande avanço.

Bem, eu quero coisas muito simples. Primeiro quero um carro novo, aliás… dois carritos, um para a cidade e outro para ir para a praia. Um RR branco que pode ser sem bar, TV e piscina porque não uso nada dessas coisas. O outro é um Porsche Cayenne azul escuro, com GPS. Como vês são dois rodinhas acessíveis e fáceis de encontrar, mas se me quiseres dar um bónus podes juntar uma Audi TDI all road também azul escura. Não me apareças é com carros vermelhos que já sabes que eu embirro solenemente com essa cor, sabes muito bem que sou verde. E onde é que os arranjas? Não é nada na Praça de Espanha, tens cada uma, pá! Vai mas é à Feira do Relógio ou à Feira da Ladra que são muito mais em conta.

Continuando…

Também quero uma Penthouse em Nova Iorque. Onde? Mas onde é que havia de ser? Em Manhatten, é claro! Ou tu achas que eu tenho cara de New Jersey? Ah, e na 5ª Avenida que é mais central, se calhar até é lá que está a Trump Tower, pode ser mesmo aí. Se o Donald viver no topo, que deve ser o caso, desaloja-o e muda-o para outro andar, e ele que fique de bico calado que já é uma grande honra ter uma vizinha como eu (mesmo quando eu cantar as músicas do Zé Cabra, da Ana Malhoa, ou do Quim Barreiros). E que nem te passe pela ideia mobilá-lo com móveis do IKEA ou da Moviflor, vê lá bem o que me arranjas! Telefona à Oprah e pede-lhe para te emprestar o Nate, esse sim, esse é que é um génio da decoração, além de ser uma brasa de cair para o lado! Pena é jogar na equipa contrária, mas enfim, não se pode ter tudo.

Arranja-me também uma casa em Los Angeles, sempre com o Nate como é óbvio, para eu receber a família e os amigos e irmos todos à entrega dos Óscares fazer inveja ao pessoal. Olha, um Cadillac, daqueles bem grandes e bem americanos também está na ordem do dia, anota aí. Vê lá a cor, toma atenção, já te estou a avisar novamente, aparece-me cá com alguma máquina cor de tomate e ficas a cantar com voz de falsete com as crianças do coro de Santo Amaro de Oeiras.


Bem, deixa cá ver mais coisas…


Ah, realmente também preciso de um Action Man igualzinho ao Clooney, mas olha que tem de ser rigorosamente igual que é para eu pôr a tiracolo e não fazer má figura. Tem de saber fazer todas as tarefas da casa, fazer-me todas as vontades, e pede para lhe meterem um botão on/off que é para eu ligar e desligar sempre que me apetecer. Se o raio do boneco se põe a incomodar-me por causa de eu estar até às tantas na sala de chat ainda temos o caldo entornado. Ele tem de ser o homem perfeito, aquele que não existe em carne e osso, e vê lá se fazes a coisa bem feitinha porque quando me chega a mostarda ao nariz lanço mísseis a torto e a direito, ainda apanhas um que eu estou-te cá com uma sede que nem calculas! Está bem, está bem, eu vou ver se te perdoo as asneiras, pode ser que acalme.

Como gosto muito de viajar quero um Jet todo metalizado e só com tripulação masculina, nada de mulheres que para isso já basto eu e já nem tenho pachorra pra me aturar. Tens é de me mandar fotos para eu os escolher a dedo e têm de ser todos uma simpatia porque eu não gosto de gente mal encarada, só quero gente gira!

O mesmo tem de acontecer com o iate, ou melhor, o yacht, assim fica mais chique, quero uma tripulação de farda branca e escolhidinhos a dedo pela je. Não precisa de ser muito grande, tem é de ser confortável, mas nada de fazer compras em segunda mão, compra-o nos USA que eles gostam de coisas à maneira. Ah! E não te esqueças que todas as máquinas têm de ter a matrícula “Miss Kakau”, já sabes que Kakau só há uma… eu e mais nenhuma. Quem é que disse? Eu, ora quem havia de ser! Tou-me nas tintas se há resmas, baldes, delas no Brasil! Ok, ok, são todas boazonas, pois são, mas lembra-te que têm silicone por todo o lado, assim também eu, vai lá vai, se eu tirasse daqui, pusesse ali, ias ver como eu ficava toda giraça, oh oh! E isto já me deu outra ideia, mas já te digo.

É verdade, já me ia esquecendo, e que tal uma bicicleta da Barbie, toda cor-de-rosa e com um cestinho à frente? É para eu fingir que sou francesa e que vou comprar a baguette na bici, mesmo um must, não achas?

Ora bem…mais…

Arranja-me também cinquenta e um por cento das acções da Maison Chanel e da Estée Lauder, assim fico logo com o dois em um, vestida, calçada, com adereços a condizer, lingerie, tratamento para a pele e para o cabelo. Consulta o Dow Jones e o Nasdaq para ver a melhor altura, eu é que não percebo nada disso mas tu deves saber, já deves ter os cursos todos, problema teu. Como dizem os brasileiros… eu não posso cansar a minha beleza com essas coisas.

Olha lá pá, não te ponhas a bocejar que ainda não acabei, hoje é a Part I, depois há mais, mas por agora anota aí só mais uma coisita… marca-me uma plástica com o Pitanguy ou então com aquele cirurgião do Porto, tem fama de ser excelente e eu só quero dar uns retoques aqui e ali. Mas olha que prefiro o Pitanguy, já o conheço de ginjeira ali do Pingo Doce, encontro-o lá muitas vezes a comprar melões de Santarém, nunca tive foi a lata de lhe falar, nem sabes o melão com que eu fiquei! Mas é para isso que serves, para cumprir os nossos caprichos.

Como vês só te pedi coisas básicas e super fáceis de arranjar. Despacha-te lá com isso que eu vou pensar em mais coisitas, talvez mais umas vinte, não sei, depende da telha. E não me venhas com as tretas de que estão esgotadas, que são muito caras, muito pesadas, etc. e tal. Pede um empréstimo ao Bes, ao CityBank, whatever, e já agora pede também um PPR que assim fico mais descansada. Bem sei que tenho um lar de terceira idade aqui perto mas é sempre bom prevenir.

Ah, e não vale a pena tentares entrar pela chaminé porque eu tenho exaustor, vem buscar-me com as renas e levas-me logo para NY para eu passar lá o revéillon. E uma coisa importante, quero champanhe francês, o Dom Pérignon, que é o meu preferido, mas também podes arranjar umas caixas de Cristal que é o champanhe americano que o Frederico bebe e diz que é o mais caro de todos, já agora experimento. Olha, e já agora mete o Frederico na lista porque de repente me deram aqui umas vontades, mas ele que venha com a farda de marujo, toda branquinha, aquela, pois, essa mesmo que me dá uns calores do caraças.

Pronto, está tudo, se bem que me lembrei que umas unhas de gel também vinham a calhar, marca aí na Estée. Tou farta de partir as minhas nas limpezas, mas que vida esta de gata borralheira! E gata velha, ainda por cima!

Vá, vá, adiante que se faz tarde, vai lá então e não percas a agenda, fico à tua espera para a Part II, vamos lá ver se é desta que me livro da loja dos chineses, safa, já ando de olhos em bico!

Olha, e não bebas enquanto conduzes e não excedas o limite de velocidade ou partes os… bem… aquelas coisas das renas, ou os teus, se te confiscam a carta eu é que fico a ver navios. Depois não te queixes se me ponho a jogar à batalha naval!

Porta-te bem que eu encarrego-me de me portar mal.

Não te esqueças de me manter ao corrente das diligências ou vou a tua casa e parto-te o estaminé de uma ponta à outra.


.*.*.K.*.*.






Uma das melhores lições que possas aprender na vida é...

Um dia seres verdadeiramente espantástica e maravilhástica...

E no outro caíres aos trambolhões do pedestal...









Deixas-te logo das tretas que dois e dois são vinte e dois...

E o quatro que se te apresenta como único e certo resultado é...

Uma bela de uma estalada nas ventas para aprenderes.




(Gosto quando me sinto assim poética…
É quando “acordo” de muitas merdas e digo...
Tou-me a cagar e que se foda!
Adiante que se faz tarde...
E ninguém me paga pra ficar de trombas...)


(Bahhhh!)






Zahir




A ilha … talvez vá…brevemente…

Uma possibilidade no horizonte…

E já essa ideia me preenche os sentidos…

Dou por mim a querer que o Verão passe…

Será normal?...

Não é … mas… é por algo…

É a ilha de verde… neve… e mar

E a “ponte” continua…

A ligação...

Talvez um dia… talvez…

Com tanta água a correr… tanto rio… tanto mar…





E é no silêncio da noite que oiço esta “máquina”…

Com tanta esperança… tanto querer…

Tanto tempo… dias... meses... anos...


O meu Zahir existe…

Lá longe… na curva do horizonte...

E é a ele que entrego os meus desejos…

Água cristalina… pura… sabendo a ontem…

Das pedras… do luso… apenas água… lágrimas…

Gotas dantes enxugadas com beijos…



Quem sabe um dia…

Num terno amanhecer…

O meu Zahir volte…

E o longe far-se-á perto.




água…

das Pedras…
café…
olhar…
silêncio…

água

memória…
voz…
doce…
quente…


água

ilusão…
infinito…


água…

do Luso…
sinal…
horizonte …


água…

chuva…
nuvens…


água…

mar…
sorriso…
tu…


água

beijos…
céu…
sonho…


água

límpida…
fresca…
pura…


água…

das Pedras
do Luso
lágrima…



água

alma
eternamente…

agua_doluso.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O verbo coitar

Há novas regras no Salão Nobre, não se pode dizer a “f” word nem o verbo f…er. Agora só é permitido falar em coito ou coitar, fica mais chique e não ofende os puristas e puritanos. Se nos fizerem a pergunta sacramental “queres f…er?” nós respondemos “eu não… piii!, só coito”.

E o porquê disto? É que há uns tempos atrás alguns dos meus manos (a tristoca e o Aramis), amigos, e aqui a je levámos uma ensaboadela de uma “perfeccionista” já sobejamente conhecida, cujo único divertimento é nos lembrar que não passamos de frequentadores de um bordel virtual e que somos uns devassos apenas em busca de uma f…da piii!, perdão, de um coito ocasional.

O mano Aramis é que lhe deu uma resposta interessante à questão da “falta de nível” com o seguinte: “Eu só desço de nível até aos Tomates”. Que mais se poderia dizer? Claro que a mana e eu andamos pelas ruas da amargura, na opinião da “purista” e ainda meteu o mano Portwine ao barulho, que nem sequer lá estava, com a advertência que se nos metermos com ele somos largadas à beira da estrada! Ahahah! É mesmo tola e doida, o que ela tem é uma ganda dor de corno, isso sim, bem queria ela ferrar o dente no mano mas ele já lhe deu todos os foras possíveis.

Lá fomos também brindadas com a falta de nível mas respondemos cada uma no seu estilo e, de resto, já temos cá um traquejo nestas andanças que nada disto nos afecta. Foi um festival de riso, antes e depois da clássica “Keka de las Siete”, epíteto aqui inventado pela je. Eu nem sei com quem kekei, perdão, coitei, acho que foi tudo à molhada. Como sabem eu só keko, ai, coito, com o mano Portwine, praticamos o incesto seguro, é uma tradição.

Então já sabem, acabou-se o verbo foder (ai, caraças, lá escapou!), vamos lá conjugar o verbo coitar:

Eu coito, Tu coitas, Ele coita, Nós coitamos, Vós coitais, Eles coitam!

Bolas, eu não sei quem anda a coitar com quem, nem quero saber, mas o certo é que 90% do salão pensa que me faço de encalhada e embarco todos os dias em navios carregadinhos de marinheiros ou piratas, das Caraíbas, de Marrocos ou das Berlengas!

Sinceramente, isto de ter fama sem ter o devido proveito é que me irrita! Bem, irritar, irritar, nem é tanto assim, dá-me é uma enorme vontade de rir porque andam bem longe da realidade, mas deixá-los “faladrar” eu é que sei o que se passa no deserto. E, de resto, se eu quiser coitar eles também não têm nada que meter o nariz onde não são chamados, eu cá não fiz votos pra freira, safa, era só o que mais me faltava! E se apanhasse o Clooney a jeito a ver se não fazia dele um… coitado! Ai nanas que não fazia! Ahahah!

É nestas alturas, perante certas Maravilhas da Natureza, que eu sei que...


Deus existe!


Homenagem ao PI


Não, isto não tem nada a ver com o π.

É um tratado acerca do... Papel Higiénico.

Ora bem, até poderão sorrir com uma questão tão simples como o papel higiénico mas a verdade é que é um verdadeiro problema quando falta!

A filosofia do rolo de papel higiénico é mais complexa do que se possa imaginar. E dado que nada se pode limpar à parede há que recorrer aos substitutos. Mas o PI tem um posto difícil de ocupar porque aquele suave desenrolar, de várias cores e desenhos, perfumado ou não, é único e exclusivo, não há quem o suplante.

E depois é tão prático que depois de usado… lá vai ele por água abaixo, além de ser discreto, um verdadeiro túmulo! Alguma vez o ouviram revelar o que vê? Não, dali não se arranca nada, sempre fiel e caladinho que nem um rato!

E esta questão foi largamente debatida no século passado. Estou aqui a lembrar-me de “Alguém” que um dia, às 8 e meia da matina e no meio de grandes questões existenciais, sussurrou nas nossas costas a seguinte frase:



“Papel Higiénico Miraflores… O Tal Que Não Risca O Que Limpa!”



Enfim, foi o descambar da compostura e as filosofias “Kantianas” e “Hegelianas” baralharam-se com a Filosofia do PI, com gargalhadas abafadas e lágrimas à mistura e no entanto tão perceptíveis que a razão de tal explosão teve de ser revelada por ordem da mestra.

Fui de imediato indagada, por razões óbvias, e embora a minha vontade fosse de dizer “não confirmo nem desminto e só falo na presença do meu advogado” lá tive de cumprir a ordem, dividindo com os restantes mortais.

Moral da história: gargalhada geral!

Depois houve uma advertência para “Alguém”: “ O menino faz favor de deixar as meninas sossegadas, prestar atenção, e sobretudo deixar a Mlle Maria quietinha”, com um sorriso cúmplice e benevolente.

Felizmente sempre houve gente com sentido de humor porque senão isto era cá um enjoo! Oh oh !

Virando a página





Espreitando pela janela
Vendo o Sol a descer
Lá longe… no horizonte
Num terno entardecer de Estio
Caiu a noite… quente…
Perfumada de buganvílias e folhagens
Soam os cricris dos grilos no monte
E os acordes suaves da música
E da voz de um cantor…
Ecoam na sala… e na casa…
Fecho mais um capítulo
Do “livro” que é a minha vida
Virando a página… uma mais
Mais um epílogo.


Sorrio perante certas ousadias
Quebrando antigas decisões
Tão bem guardadas em mim
Prometendo não mais repetir
Amanhã outro dia será…
E caminharei sem receio
Com passos mais seguros
E a alma livre de prisões
Respiro fundo… cerrando os olhos
Neste mar de ideias que me invadem
Com a secreta esperança que logo…
Uma certa tristeza se esvairá
E quando o novo dia nascer
Será ainda mais pequenina
Menos presente e sombria
Deixando a luz brilhar de novo


Sorrio ao futuro com respeito
Esperando que me traga uma lua
Uma estrelinha só para mim
E um Sol que brilhe sem parar
Olho para as fotos da prole
Ali tão doces, tão minhas
São a razão mais importante
Para nunca deixar de sorrir



A vida é feita
De sins… de nãos
De pequenos nadas que
Juntos são muitas coisas
De mãos unidas faço uma prece
E agradeço.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

"Aquellas pequeñas cosas"




Pequeñas cosas...
Como un abrazo...
En un papel...
O en un e-mail...





Uno se cree que las mató
El tiempo y la ausencia
Pero su tren
Vendió boletos de ida y vuelta
Son aquellas pequeñas cosas
Que nos dejó un tiempo de rosas
En un rincón,
En un papel
O en un cajón.

Como un ladrón,
Te acechan detrás de la puerta
Te tienen tan a su merced
Como hojas muertas
Que el viento arrastra allá o aquí...
Que te sonríen tristes y
Nos hacen que
Lloremos cuando
Nadie nos ve.


domingo, 19 de agosto de 2007

O meu colégio


Tinha cinco anos e meio quando tive uma das melhores experiências da minha vida.

O meu Pai levou-nos ao colégio, à minha irmã e a mim, naquele início de Outubro. Quando saí do carro fiquei extasiada ao ver a imensidão daquele edifício tão alegre, tão bonito e tão cheio de árvores, foi mesmo amor à primeira vista!

Eu não entendia nada do que a professora me dizia, apenas lhe sorria deliciada pela novidade da língua, deliciada pela sala de aula enorme e luminosa, pelas carteirinhas minúsculas, pelo recreio, enfim, por tudo.

Um ano depois já eu falava francês pelos cotovelos, esponjas que são as crianças e tudo aprendem à velocidade da luz. Ganhei muitos prémios e recordo com ternura o fecho do ano lectivo com toda a solenidade no ginásio e mais tarde no São Luís.



Foram treze anos maravilhosos e nunca houve um dia em que pudesse dizer que estava farta porque ali tudo me encantava. Lembro-me de tantas amigas, de tantos amigos, de tantas peripécias divertidas!

Adorava as aulas de ballet, de canto, de culinária, de francês, inglês e alemão, mas franzia o nariz aos Lavores e a certas modalidades da ginástica, uma delas era subir à corda. Dava-me cada ataque de riso que subia dois ou três nós e ficava-me por ali. Em contrapartida era sempre a segunda da turma no salto em comprimento, isto porque a João tinha pernas de Bugs Bunny e passava-me justamente… a perna, eheheh!

Depois dos anos da adolescência chegou a altura de pensar na carreira. Aos dezasseis anos estava decidida, seria Direito (depois mudei para Germânicas). Só que a minha vida teve um acontecimento inesperado porque o Fefas passou a fazer parte da minha turma, também ele queria ser advogado e assim lá se juntou ao pequeno bando de Letras em que as meninas predominavam e os meninos estavam em minoria.



Tivemos aulas que eram um verdadeiro papelinho, sobretudo as de Latim em que o Fefas, o Zé M, o Zé F, e o Alvarinho se divertiam a atirar bolas de papel para mim, para a Ana e para a Inô. Eles faziam questão de se sentarem nas últimas carteiras e nós levávamos com os “projécteis” na tola. O azar dos azares é que um dia uma das bolinhas foi mal calculada e parecia um meteorito a aterrar na mesa da professora. Resultado, mudámos para a cave do edifício central com carteiras numa só fila e lá se foram as infantilidades dos meninos que nos fizeram ouvir das boas. Eu cá perdia-me a rir, mas também comi por tabela, claro, noblesse oblige!

Qual foi a chave de ouro do ano lectivo de 72-73, o meu namoro com o Fefas, claro! E atingiu proporções que nenhum de nós poderia imaginar. Contrariámos, embora involuntariamente, a rígida disciplina establecida ao ser o primeiro casalinho a se atrever a andar de mãos dadas dentro do colégio.

Um dia demos de caras com o director máximo, que em francês tem o título de Proviseur. Apesar de termos ficado gelados não largámos as mãos e, pasme-se, ele passou por nós e sorriu-nos! A partir daí, e depois de contarmos o sucedido, todos os parzinhos fizeram o mesmo, mas nós recebemos o título de Par Romântico e o mais famoso do colégio. Éramos mesmo muito à frente!

Havia tanto a contar mas levaria páginas e páginas. Como epílogo fica a primeira visita a França em 71, numa viagem organizada pelo colégio que incluía antigos alunos e familiares. Os preços eram mesmo para estudantes e em território francês ficámos nas Pousadas de Juventude. A de Paris era um prédio gigantesco.


Foi a única vez que andei descalça numa cidade e foi também no Théâtre de La Porte de St. Martin que vi a peça musical Hair. O cantor principal era o “meu” Julien Clerc, um ídolo que eu seguia desde os doze anos, coleccionando as famosas revistas Salut Les Copains e Mlle Âge Tendre, época também da minha fase so so hippie, exceptuando as drogas que foi coisa que nunca experimentei porque a minha "droga"... é a night!

O colégio foi uma grande base, a todos os níveis, o meu coração terá sempre um cantinho francês e serei sempre um pouco … une enfant de la Patrie, une enfant du Lycée Français Charles Lepierre.



La plus belle pour aller danser, Sylvie Vartan

Femmes je vous aime, Julien Clerc



Um Trevo para Todos





Os meus desejos sinceros para que cada página que virarem do livro da vossa vida seja mais rica, mais colorida e mais alegre.

Nunca deixem de sonhar porque os sonhos são uma chama sempre acesa nas nossas cogitações.




Jasmim

A ti que te conheço há tanto tempo, e a primeira a visitar o meu cantinho, um beijo com toda a cumplicidade das nossas letrinhas.

Cookie

Linda menina tão madura e tão divertida, a segunda a dar aqui um saltinho e a deixar as suas ideias, beijinhos.

Wild Mind

Meu amigo de longa data, sempre com uma ternura no meu blog do MSN, no Salão Nobre e no Chat de Vida, um beijo enorme para ti.

Netmito

Um xi grande para ti, que também te conheço há tanto tempo e que leio sempre com prazer.

Excelsior

Um beijinho grande de agradecimento pelos teus comentários aos meus posts no Chat de Vida, aqui no meu cantinho, pelas nomeações e pela amizade.

Chat de Vida

Para todos os que escrevem nesse espaço tão divertido. Um beijão.

Um Momento

Um beijinho muito carinhoso para ti, pelas tuas palavras sentidas e por me incluíres também no teu trevo e nos 7 casuais.

Stefanie*

Uma menina linda e com um coração de ouro, para ti um beijão da titi.

O Profeta

Um poeta que veio aqui pela mão da Um Momento. Um beijinho grande para ti e espero que voltes, eu certamente voltarei a ler-te.


*Um abraço para todos os que visitarem o meu espaço.



«Que nenhuma estrela…»

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Bryner Andresen (Ibidem)