segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pão com chouriço





- A menina dança?

A menina recusa, com uma vontade irresistível de responder: “Não, já tenho gajo.” A “menina” dá azo a risota das grandes na mesa das Gildas, mais ainda à convidada que já está bem madura.

5 da manhã. As Gildas regressam da night, dividindo o asfalto com o enxame de couro negro, montado em máquinas reluzentes e velozes. Momentos muito Easy Rider. Ainda há a vontade de segui-lo, mas é tarefa inglória porque as abelhas têm um speed astronómico e desaparecem enquanto o diabo esfrega um olho. Que pena! Estiveram mesmo ali à mão de semear para lhes arrancar o capacete e descobrir se havia um prémio escondido. A conversa das Gildas tem bolinha vermelha, tem de ficar no segredo dos deuses porque a Concentração tem muito que se lhe diga.

Continua-se para o destino certo: o pão com chouriço. Vão direitinhas à fonte. A fila é grande e, afinal, algumas abelhas do enxame tiveram a mesma ideia, misturando as máquinas de duas rodas com as de quatro numa algazarra enorme. Tudo gente bem-disposta que acaba a noite a fazer sala... na rua.

No guichet informam que há tudo… menos pão com chouriço!

- Não acredito! – diz uma das Gildas.

- Então e eu, que estou de bebé? Agora fica a criança com desejos! - exclama a outra Gilda, que tem tudo menos idade para ser mãe.

Gargalhada geral, contagiando as empregadas que desatam a rir também. Passa-se ao Plano B: croissants, pastéis de nata e bolas de Berlim. Tudo para a desgraça das costuras!

As Gildas ficam algo desiludidas com o malogro do Plano A, embora já estejam prontas a atacar o Plano B.

- Ora bolas, eu aqui a pensar no chouriço e tenho de me contentar com croissants?

- Olha, se quiseres eu tenho um em casa e é alentejano. Está embrulhado num pano para não ganhar bolor.

Um chouriço em risco de ganhar bolor?! Risota e mais risota.

- Menina, tens mas é de comer o chouriço! E juntamos um de Monchique que não fica nada atrás. Bora fazer uma festa de chouriço!

Há um enorme esforço para ninguém se engasgar com o Plano B porque, com o bolor do chouriço alentejano, o tema já navega por águas de fazer corar as pedras da calçada.

O príncipe mouro telefona para saber se as Gildas já estão em segurança.

- Príncipe, ficámos sem pão com chouriço.

- Ai sim? Venham para cá que eu arranjo pão com chouriço para todas. - responde o mouro.

- Olha que não queremos às rodelas, é inteiro!

O mouro ri a bom rir, já conhece bem o espírito da conversa destas Gildas atrevidas.

Quem estiver de fora a observá-las, naquela risota infernal, pensa que ali há muito álcool à mistura, mas está totalmente longe da verdade, é pura diversão inocente à volta de um chouriço que se quer num pão bem quente e estaladiço, seja ele alentejano ou algarvio.




sexta-feira, 16 de julho de 2010

Música





A tua voz soa a música…
Abraça a minha pele…
Acaricia os meus sentidos…
Faz-me flutuar na ventania…

Néctar doce como mel…
Floresta de delícias encantada…
Abrasador murmúrio de paixão…
A tua voz canta-me enigmas…
Trespassa-me o coração com palavras…
Deixando sangrar o amor em sorrisos…






quinta-feira, 15 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010




Um Quociente apaixonou-se
doidamente
por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a, do Ápice à Base...
uma Figura Ímpar,
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida paralela à dela,
até que se encontraram no Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
o que, em aritmética, corresponde
a alma irmãs, Primos-entre-si.

E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz,
numa sexta potenciação traçando,
ao sabor do momento e da paixão,
rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se,
constituir um lar.
Mais que um lar…
uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro,
sonhando com uma felicidade
Integral… e Diferencial.

E casaram-se. Tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes até àquele dia
em que tudo, afinal, se torna monotonia.

Foi então que surgiu
o Máximo Divisor Comum...
frequentador de Círculos Concêntricos Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma Grandeza Absoluta,
e reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais Um Todo,
uma Unidade.
Era o Triângulo, chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
mais Ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser Moralidade,
como, aliás, em qualquer Sociedade.


Autor desconhecido






sexta-feira, 2 de julho de 2010

Rosto




Não te acho bonito…

Os anos vão-te dando charme…

 Cada vez mais…

 
Os teus gestos são naturais…

Revelando as origens…

Os traços do teu rosto têm a tua personalidade…

Definida… difícil… mas forte…

Não… tu não és bonito…

Tu és…

Simplesmente…

Lindo.






quarta-feira, 30 de junho de 2010

Gildas




As Gildas deixam a noite do barlavento e rumam ao Verão do sotavento, embaladas pelo sueste estrelado e quente. A cidade fica expectante com a volta das princesas. Cedo não será, mas elas voltam. Partem com perfume de mar em direcção aos aromas serranos.



As horas fluem dançantes. As risotas também. Os comentários trocam-se discretamente, sob o olhar aguçado dos mouros.



Muitos aniversários, muitos parabéns cantados, muitas velas acesas e palmas. O gelo agita-se nos copos, os brindes tilintam no vidro. Muita alegria.



Aproxima-se o mouro em passos lentos, sorridente, familiar. Leva a sua Gilda para o meio da sala e enlaça-a em jeito de príncipe.



E, como por magia, o cantor começa a entoar esta “Paixão”, como se adivinhasse pensamentos. As Gildas observam o par romântico e sorriem. Juntam as vozes às muitas outras e trauteiam… tu eras aquele que eu mais queria



Soa a hora do regresso. Os mouros agitam-se no bulício nocturno, querendo levar as Gildas. Prometem-lhes muitas amendoeiras em flor e reinos inventados. Mas as princesas vão para outras neves… com a promessa de voltar.






Partem para o seu castelo, saudosas de maresia. Atento, o príncipe mouro escolta a carruagem das princesas até à estrada de mil cores. Afinal, uma delas é a sua Gilda. Estiveram…





juntos no escuro, de mão dada a ouvir aquela música maluca sempre a subir











segunda-feira, 28 de junho de 2010

"And nothing else matters"




Forever trusting who we are...
And nothing else matters...


Open mind for a different view...
And nothing else matters...

 
 


sábado, 26 de junho de 2010

Sem comentários...



Simon & Garfunkel - Bridge Over Troubled Water


Clay Aiken



sexta-feira, 25 de junho de 2010

O 8.º Pecado






Ainda voltando à questão da dieta dos seis “S”, em particular dos últimos três, directamente associados ao pecado da luxúria. Por isso é necessária uma reflexão crítica de todos os pecados. Ou seja, os Sete Pecados Capitais segundo a Kakau… e mais Um.

Analisando:

1.º Vaidade

Concordo, se for ridícula e excessiva. Não se aguenta uma pessoa super convencida, do género: espelho meu, espelho meu, há uma Kakau melhor do que eu? (Bem, esta pergunta é da mais burras porque o espelho só pode responder: ó filha, vai-te catar! Fica logo resolvido o pecado. Toma lá e embrulha!)

2.º Inveja

Que feio ser-se invejoso! É pecado, sim senhor, e dos piores!

Invejoso, vai deitar o olho à vizinha que eu não tenho nada para ti. Vai, vai! Andor!

3.º Ira

Bem, aqui depende muito da ira. Quem é que não tem uma ira? Devia ser de vez em quando, mas os políticos dão-me cá uma ira diária! Ai que ira!

4.º Preguiça

Eh pá, fogo, isto é um exagero! Então assim vou direitinha para o Inferno, tenho cada ataque de preguiça que só visto!

Mas está bem, se tiver mesmo de ir para o Inferno, então que seja no pino do Inverno porque com o frio apetece uma braseira. Se for no Verão… exijo ar condicionado! E um champanhe geladinho também não calhava mal. Não sei é se há bar aberto, serviço de quartos, etc.

5.º Avareza

Concordo absolutamente! Absolutamente irritante. Fora com os forretas! Xôôô!

6.º Gula

Outro que tal! Mas que mal faz termos ataques de gula? Pecado capital? Mas nem pó! Ponham-me uma caixa de chocolates à frente e já lhes dou a gula! Que culpa tenho eu de ser a Maria… Kakau… Cacau… Chocolate? Bora lá comer um bombom, ou dois, ou três. Ponto final.

7.º Luxúria

Ah! Este sim, este tem muito que se lhe diga!

Não sei porque é que a “Luxúria” é o 7.º Pecado Capital! Então ser-se sensual é pecado?! Homessa, isto não cabe na cabeça de ninguém! Ora eu acho que pecado, pecado mesmo, é passar por esta vida, não aproveitar, e ficar virgem! Isso sim, isso é que é um verdadeiro pecado, que não mata, pois não, mas que deve moer e provocar uma enorme sensação de privação. Que desperdício! Eu acho que toda a gente, nem que fosse uma vez na vida, deveria “luxuriar” e soltar o diabo que tem no corpo. Por isso penso que se deveria acrescentar o…

 

8.º Pecado Capital: a VIRGINDADE!


A virgindade serve para quê?! Para já, só se podem seguir os três primeiros “S” da Dieta dos Seis: sopas, sumos e saladas. Bolas, mas que enjoo! Dá logo vontade de mandar a dieta à caça dos gambuzinos! A dieta tem piada mesmo é com os seis, alternando uns e outros, não é verdade? Aposto que temos aqui um consenso. Ou talvez não, porque o mano Gavião gosta dos três últimos de uma assentada! Será este o pecado da gula? Ahahah!

Então vá, se leste aqui a je e és virgem, vai lá pecar com a minha bênção, mas desde que seja com consciência! Nada de loucuras porque a saúde é preciosa. E as misturadas também são prejudiciais. Depois já podes fazer a Dieta dos Seis “S”, de autor(a) desconhecido(a), mas muito pertinente. E podes alterar a ordem, claro, faz o que te der na real gana! E com muita vontade…

Última hora

Já tinha eu terminado este “tratado” pecaminoso, quando soube de uma notícia ainda mais pecaminosa. Isto faz-me acrescentar um pecado ao 8.º:



9.º Pecado Capital:

O iminente casamento do Albert de Monaco!

Mille millions de tonnerres! E não é que vai mesmo casar? E pecado porquê? Porque não vai casar comigo! Life is a bitch, definitely a bitch, such a bitch! Oh what a bitch!







quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mano Gavião: Parte II






"Kakauzinha,

Já que fechaste a caixinha dos teus comentários e acabaste por perder a chave nas areias das praias dos Al-Gharbs, vou deixar-te, aqui mesmo, o meu agradecimento por teres lavrado, em azul e acta pública, a confirmação de todos os títulos e nomeações com que me foste distinguindo ao longo dos tempos, com o teu génio e a tua generosidade!

Fico, assim, ora mais enriquecido com a dimensão pública das honrarias de que entendeste por merecedor este teu amigo e admirador!

Obrigado, grande amiga!

Que dos azuis nunca te afastes e dos "zahir's" nunca te percas!"





Gavianito, amigo e mano gémeo, para mim és sempre um Gavião, não de rapina, mas sim uma ave de grandes voos, pairando num céu muito azul, não menos romântico do que eu, fiel a si próprio e a todos os grandes valores que em ti continuam intactos. Pertences à verdadeira Raça Lusitana e tem sido uma inspiração trocar ideias e brincadeiras contigo.

Espero que continuemos neste “tu-cá-tu-lá” prazeroso e conto arrancar-te ainda muitas gargalhadas com as minhas insanidades, assim como espero continuar a gargalhar com o teu sentido de humor imparável, inteligente e perspicaz. Ou a sentir uma aguinha nos olhos quando me descreves o teu mundo secreto, confiando na minha discrição. Muito obrigada por me achares merecedora da tua confiança. Chamei-te um dia Darth Vader por causa da tua indumentária motard, mas és um DV dos bons e tens uma Força imensa.

A Santa Net proporcionou o nosso encontro que, de início, ia sendo desastroso. Porque quando me falaste em trocarmos intimidades eu pensei que estava perante mais um tonto, dos muitos que por aqui pululam. Mas não foi difícil sanar o engano, e ainda bem, porque desde então, sempre que a disponibilidade nos permite, tem sido um mar de gargalhadas, a par com as nossas vivências, vivências essas que comparamos e debatemos, aliviando assim a alma de alguns pesos. E é esse o verdadeiro sentido da amizade, ajudar os nossos amigos a afastar as nuvens mais escuras, falando abertamente de tudo o que nos acontece. É essa a intimidade saudável e sem qualquer malefício.

Grata sou eu pelos teus elogios porque, vindos de ti, e por seres a pessoa íntegra que és, são um prémio muito doce para o meu ego.
 

Um ósculo muito azul no teu capacete, Príncipe dos Motards(*):))