sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Cota-mor




Há dias disseram-me que tenho “ar de menina”, que não aparento nada os 51 anos que já cá cantam desde 1956. O ar de surpresa parecia genuíno mas não acreditei nem um pouco. No entanto não pude deixar de sorrir porque estava de cara lavada, o cabelo molhado e tudo menos sexy.

Também pouco interessa se aparento 51, 49, ou 40, nunca me incomodei com os anos. Agora este feitio de 25 que tenho é que é a parte mais complicada pois graças a ele atraio sempre o que nunca me convém. Que hei-de fazer se faço parte do grupinho que deixa os anos passar sem que a alma envelheça? Não está escrito em lado nenhum que temos de deixar de ser joviais só porque temos esta ou aquela idade.

Claro que também requer alguma perícia saber aguentar os anos sem cair no ridículo e no caso de nós mulheres é preciso não encher a cara de pintura numa tentativa vã de encobrir as rugas e os sinais do tempo porque eles notam-se. O segredo é aligeirar ao máximo a maquilhagem e os trapos, nada de exageros para não parecermos uns espantalhos.

Obviamente que hoje temos ao nosso alcance muitos truques para disfarçar o calendário, umas correcçõezitas aqui e ali só custam na carteira mas essa tenho eu bem leve por isso não tenho vícios, o que sou está à vista e quem gosta…gosta, quem não gosta que não olhe que eu também não faço questão. Se um dia me sair o euromilhões vou fazer uns retoques, mas por enquanto contento-me com a prata da casa e se tenho algumas rugas que me irritam também não me tiram o sono.

Agora o feitio, que faço eu com o feitio que não pára de me pregar partidas? É uma questão complicada porque não tenciono abdicar dele, até porque mesmo que fizesse um esforço não conseguia, continuo a ser a jovem de sempre, embora mais paciente, mais confiante e mais sabedora como é natural.

Cumprem-se hoje 2 anos e meio do meu divórcio, talvez um dos mais sonhados deste planeta. E se a fase final não foi nada agradável, sem que eu tivesse culpa alguma disso, o dia em si foi bem divertido, soe isto a estranho mas é a pura verdade. Aquele momento em que ouvi as palavras “o casamento fica dissolvido por anuência de ambas as partes” foi de extrema alegria e de catarse, para trás ficaram mais de 30 longos anos de prisão. O mundo que se abriu diante dos meus olhos naquela manhã radiosa de Fevereiro foi um presente adquirido à custa de muito sacrifício, de muitas lágrimas, de muito silêncio, de muita tristeza.

Deixei a minha Lisboa natal para começar uma vida aberta a todas as novidades possíveis na minha segunda terra, Portimão, da qual tenho umas costelas bem valentes e a qual piso confiante e quase de olhos fechados.

Continuo a ser Mãe, o meu papel preferido acrescido do delicioso título de Vovó Kakau e em vias de multiplicação, mas agora tenho tempo para ser eu mesma, para pisar o chão que escolho baseada na minha intuição. Estou satisfeita com os resultados, não me tenho saído mal mas ainda tenho um longo caminho a percorrer se for o caso, se a tanto me ajudar o engenho e a arte por mares nunca dantes navegados. E a vontade que me uniu a esta terra do sul continuará… até que a morte nos separe.

Estou mesmo a aprender a ser feliz.

3 comentários:

Jasmim disse...

Hoje não quero estragar nada do que leio com as minhas palavras...se muito escrever sei que acabarei por estragar algo...

Apenas deixo um beijo doce e terno na tua doce e meiga alma...

(respondi-te nos comentários do meu blog, e vais sentir que a melancolia me "agarrou" hoje e cada passo que dou, sinto que deveria estar quieta não me mexer e deixar o tempo atenuar o que me fustiga por dentro...)

jinho
Jasmim

Um Momento disse...

óh eu aqui a espreitar!
E sim, tens "ar" de Menina sim senhor
Sempre que te li e senti, fizeste-me lembrar uma linda e alegre Menina
Logo como me cinjo pelos sentires...
Deixo-te um GIGANTE beijo Menina Kakauzinha :)))

DIA LINDO deseja esta Vi@leta :D

:))))
(*)

kakauzinha disse...

um momento,

Menina Vi@leta, muito obrigada pelo comentário, fartei-me de sorrir...

Bejinhos da menina kakau******:)))))